Pela Dra. Lígia Kogos, no site
Bolsa de Mulher:
"A notícia da morte de Farrah Fawcett, a mais célebre das "Panteras", série americana de televisão reprisada no mundo todo (Charlie's Angels), deixou em muitas pessoas a sensação de que tudo passa muito rápido e a recordação de seus incomparáveis, indescritíveis cabelos parece envolver tudo.
Há cerca de 33 anos mulheres de distintas idades vêm se influenciando com estes cabelos, imitando, copiando, adaptando, com ou sem sucesso, na busca de uma cabeleira farta e solta que balance ao caminhar, que possa redimir rostos e corpos imperfeitos, um cabelo que fale por si, que atraia todos os olhares e nos console.
As que eram crianças nos anos 70, as que eram adultas, as que eram maduras e até mesmo as que nunca ouviram falar dela sofrem ainda hoje sua influência, já que cabeleireiros sofisticados ou simples tentaram pelos quatro cantos do mundo reproduzir as mechas lisas que emergem pra fora, listradas em tons de louro, desalinhadas e selvagens que refletem mais que simples beleza. Davam o recado de que havia bons genes, saúde vitalidade e, é claro, uma natureza sexy e ativa.
Quando a bela detetive-agente perseguia e encurralava bandidos empunhando armas em movimentos bruscos, os homens podiam estar observando seu corpo esguio, as longas pernas, os olhos de cristal, mas as mulheres seguramente estavam obcecadas com aqueles cabelos de ouro que caiam repicados, soltos, cascateando sem preocupação em despentearem-se, quanto mais revoltos, mais bonitos. Parecia mais que simples cabelos, parecia uma espécie de pelagem de algum animal raro, plumas de ave do paraíso, um casaco de vison bem caro.
Já disseram que o estilo Farrah seria o equivalente ao estilo Chanel, foi se modernizando e revivendo a cada meia década, em mudanças que deram frutos tanto em cabelos longos como curtos. Afinal, tanto o penteado elegante de Lady Diana como a cascata dourada de Gisele Bündchen são "filhos"do cabelo de Farrah, emergindo da cabeça pra cima e pra fora numa explosão de exuberância, comportada ou arrebatadamente.

Era a consagração da "escova", o "brushing"feito diretamente no cabelo molhado, sem a intermediação dos "bobbies" ou da "touca ", método soberano que reina inconteste nos banheiros domésticos e nos salões de cabeleireiro até hoje, consumindo horas e horas da vida de legiões de mulheres. Reflexos e mechas tornaram-se populares, sacrificando muitos fios no altar do desejo irresistível de ser loura com aquele visual de gata selvagem.
Veja um álbum de família qualquer e nas fotos de casamentos, noivados, formaturas e batizados veremos meninas, moças e senhoras em seus melhores momentos, com um pouco de Farrah Fawcett na cabeça (por dentro e por fora). Afinal, quem já não se imaginou a rainha da festa por um instante apenas?
Os cabelos da Pantera falavam por si, traçaram boa parte de sua biografia que se tornou famosa após posar para anúncios da Wella. Se os anos e a doença roubaram o viço e o frescor dos olhos e da pele de Farrah, Deus manteve seus cabelos lindos até quase o final e o público não chegou a vê-la despojada de sua marca registrada.
Continuaremos nós mulheres, inconscientemente, a nos inspirar em cabeleiras fortes e vitais, desejando mechas que cresçam e dancem intactas com o vento, com o movimento, com a dor e com as mudanças da vida. Nossos cabelos dificilmente serão tão belos como os dela, mas... é permitido sonhar."
Adorei o post. Você disse tudo. Beijusss
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